Corpus
Christi
Corpus Christi é uma festa ao Corpo de Cristo. É uma
data adotada na Igreja Católica, para comemorar a presença
real de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia, pela mudança
da substância do pão e do vinho na de seu corpo e de
seu sangue (O Catolicismo declara que a hóstia, torna-se literalmente
em Carne e Sangue do Senhor Jesus)
A
seguir, veja como iniciou-se esta comemoração:
A
origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século
XII. A Igreja sentiu necessidade de realçar a presença
real do "Cristo todo" no pão consagrado. Esta necessidade
se aliava ao desejo do homem medieval de "contemplar" as
coisas. Surgiu nesta época o costume de elevar a hóstia
depois da consagração. Disseminava-se uma controvertida
piedade eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à
igreja mais "verem" a hóstia do que para participarem
efetivamente da eucaristia.
A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV
com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para
ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima
Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. O Papa Urbano
IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago
do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu
o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont
Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.
Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia
Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas
em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209,
começou a ter ‘visões’, (que retratavam
um disco lunar dentro do qual havia uma parte escura. Isto foi interpretado
como sendo uma ausência de uma festa eucarística no calendário
litúrgico para agradecer o sacramento da Eucaristia). Com 38
anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège,
que 31 anos depois, por três anos, será o Papa Urbano
IV (1261-1264), e tornará mundial a Festa de Corpus Christi,
pouco antes de morrer.
A ‘Fête Dieu’ começou na paróquia
de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização
do arcediago para procissão eucarística só dentro
da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício
da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística
pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois
se tornou festa nacional na Bélgica.
A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após
a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana
de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa
morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese
de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada
antes de 1270. O ofício divino, seus hinos, a seqüência
‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás
de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto
Magno. Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo,
50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando
o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições
Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia
um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII
publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia
em procissão pelas vias públicas.
O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes,
da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo
na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da
Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão
Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de
graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação
pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.
Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon
944 – mantém a obrigação de se manifestar
‘o testemunho público de veneração para
com a Santíssima Eucaristia’ e ‘onde for possível,
haja procissão pelas vias públicas’, mas os bispos
escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação
do povo e a dignidade da manifestação.
A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído
na Última Ceia, quando Jesus disse :‘Este é o
meu corpo...isto é o meu sangue... fazei isto em memória
de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez
na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira
após o domingo depois de Pentecostes.
Origem
das comemorações
Tudo começou com a religiosa Juliana de Cornellon, nascida
na Bélgica, em 1193. Segundo alegou, teve insistentes visões
da Virgem Maria ordenando-lhe a realização de uma grandiosa
festa. Juliana (mais tarde Santa Juliana) afirmava que a festa seria
instituída para honrar a presença real de Jesus na hóstia,
ou seja, o corpo místico de Jesus na Santíssima Eucaristia.
Ainda
quando era bispo, o papa Urbano IV teve conhecimento dessas visões
e resolveu estendê-la à Igreja Universal, o que então
já era uma verdadeira festa. Pela bula “Transituru do
Mundo”, publicada em 11 de agosto de 1264, Urbano IV a consagrou
em todo o mundo, com uma finalidade tríplice:
Prestar
as mais excelsas honras a Jesus Cristo
Pedir
perdão a Jesus Cristo pelos ultrajes cometidos pelos ateus
Protestar contra as heresias dos que negavam a presença de
Deus na hóstia consagrada
No
Brasil
No Brasil, a festa de Corpus Christi chegou com os colonizadores portugueses
e espanhóis. Na época colonial, a festa tinha uma conotação
político-religiosa. É que dias antes das procissões,
as câmaras municipais exigiam que as casas de moradia e de comércio
fossem enfeitadas com folhas e flores. Na época, quando o Brasil
ainda era uma colônia, participavam da procissão membros
de todas as classes, incluindo os escravos, os leigos das ordens terceiras
e os militares. Durante muitos anos, o entrosamento do povo com o
governo, e vice-versa, foi praticamente completo. Um exemplo que comprova
esse fato ocorreu em 16 de junho de 1808, quando D. João VI
acompanhou a primeira procissão de Corpus Christi, realizada
no Rio de Janeiro.
As
procissões
O que marca a festa de Corpus Christi são as procissões,
quando ocorrem as ornamentações das ruas com tapetes
feitos de vários tipos de materiais, como papel, papelão,
latinhas de bebidas, serragem colorida, isopor, etc. Desenhos são
elaborados nessa ornamentação com as figuras de Jesus,
do cálice da Ceia e da Virgem Maria. Utilizam-se toneladas
de materiais para formar os tapetes vistosos e admirados pelos que
acompanham as procissões.
O
mais importante
O momento mais solene da festividade de Corpus Christi é quando
o hostiário, onde estão depositadas as hóstias
ainda não consagradas, é conduzido nas procissões
por um líder da alta hierarquia católica. No momento
em que o hostiário passa, um silêncio profundo é
observado por todos os presentes e, de uma extremidade a outra, toca-se
a sineta que anuncia a passagem do cortejo. As reações
das pessoas são as mais variadas. Algumas se comovem ao extremo
e choram, outras se ajoelham diante do hostiário. De ponto
em ponto, há uma parada, quando, então, se entoam cânticos
tradicionais. Segundo a liderança romana, as ornamentações
são feitas para que o Corpo de Cristo possa passar por um local
digno, para ser visto por todas as pessoas. Representa uma manifestação
pública da fé na presença real de Jesus Cristo
na Eucaristia.
Eucaristia
Ensinando sobre a Eucaristia, diz a Igreja Católica: “A
Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão
de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo,
e de toda a substância do vinho no seu precioso sangue, contém
verdadeira, real e substancialmente o Corpo, o Sangue, a Alma e a
Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies
de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual”.
Ensina,
ainda, que na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que se encontra
no céu. Esclarece também que essa mudança, conhecida
como transubstanciação, “ocorre no ato em que
o sacerdote, na santa missa, pronuncia as palavras de consagração:
‘Isto é o meu Corpo; este é o meu sangue’”.
O
catecismo católico traz uma pergunta com relação
ao Sacramento da Eucaristia nos seguintes termos: “Deve-se adorar
a Eucaristia?”. E responde: “A Eucaristia deve ser adorada
por todos, porque ela contém verdadeira, real e substancialmente
o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor”.