CRISTO REI
A Igreja
encerra o Ano Litúrgico da Igreja com a festa de Cristo Rei,
coroando toda essa jornada.
Cristo Rei foi uma das últimas celebrações instituída
pelo Papa Pio XI, na época em que o mundo passava pelo pós-guerra
de 1917, marcado pelo fascismo na Itália, pelo nazismo na Alemanha,
pelo comunismo na Rússia, pelo marxismo-ateu, pela crise econômica,
pelos governos ditatoriais que solapavam toda a Europa, pela perseguição
religiosa, pelo liberalismo e outros que levavam o mundo e o povo
a afastar-se de Deus, da religião e da fé, culminando
com a 2ª Guerra Mundial.
O Papa Pio XI instituiu essa festa para que todas as coisas culminassem
na plenitude em Cristo Senhor, simbolizado no que diz o Apocalipse:
”Eu sou o Alfa e o Ômega, Principio e Fim de todas as
coisas.” (Ap1, 8) Ressalta a restauração e a reparação
universal realizada em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.
Nessa festa, celebra-se também nossa participação
no Reino de Deus, sob a condição de aderirmos à
verdade trazida por Jesus, pela qual somos caminheiros que se dirigem
à Casa do Pai, para participarmos da mesa do Reino e de assumirmos
o compromisso do Evangelho.
A celebração, fechando o Ano Litúrgico, traz
para nós cristãos a reflexão em torno da vida
de Jesus que significa para nós a salvação, onde
impera no mundo o pecado. Pilatos pergunta a Jesus se ele é
rei, e Ele responde que seu reino não é deste mundo
de injustiça, ódio, morte e dor. Ele é rei do
reino de seu Pai que, como pastor, guia a sua Igreja neste mundo para
o reino celeste. Por isso, fazer parte desse Reino é fazer
comunhão com Ele, transformar o mundo em que vivemos.
Jesus Cristo é rei e pastor que nos leva ao Reino de Deus,
que nos tira das trevas do erro e do pecado, que nos guia para a plena
comunhão com o Pai pelo amor. Jesus nos aponta como “Caminho,
Verdade e Vida” (Jo 14, 6) para que possamos imitá-lo
mesmo diante de nossas fraquezas e medos, morrer com Ele para participarmos
de sua vitória.
Olhando o nosso mundo, vemos o sofrimento de tantos irmãos
que trazem consigo a cruz de Cristo, como sinal de vitória
e de redenção do mundo. Mesmo diante das nossas aflições,
dores, angustias e injustiças, não podemos ser derrotados,
mesmo quando estivermos sozinhos, quando nos sentimos abandonados
como os discípulos abandonaram Jesus. Portanto a amargura não
poderá tomar conta de nosso coração. Não
podemos querer entender a Deus em seu mistério, nem duvidar
de seu amor para com todos, mas acolher tudo por amor a Deus, como
festa de um grande banquete do qual um dia participaremos na eternidade.
Bem-aventurados aqueles que sofrem, são perseguidos e padecem
todo tipo de injustiças, pois como servo bom e fiel um dia
acolhido por Jesus na mesa do Reino, será bendito. E Ele passando
servirá aqueles que souberam viver a justiça, a caridade
e fazer o bem na vida dos irmãos.
É a grande promessa de Jesus para nós, filhos benditos
do Pai: sua realeza não é deste mundo, por isso devemos
anunciar a verdade libertando os homens do pecado, dando-lhes uma
verdadeira conversão do coração.
Jesus é a testemunha fiel da verdade, isto é , seu desígnio
de salvação do mundo. Veio revelar com a própria
vida o grande sacrifício da cruz, da sua paixão e morte
por amor, nessa mesma cruz pela qual Ele atrairá todos ao seu
coração. Tudo por amor, fonte primeira de união
com Deus, Ele desfaz as injustiças em liberdade, tornando grande
sacerdócio do povo santo de Deus em que cada um se santifica
no mundo.
Ser cristão é construir o Reino de Cristo no mundo através
do serviço gratuito e fraterno, humilde, deixando-se fazer
a vontade do Pai. Você está disposto a fazer acontecer
o Reino? De que maneira?
Junto com a solenidade de Cristo Rei, celebra-se o Dia do Leigo e
da Leiga, que possuem uma vocação especial, muitas vezes
esquecida. Ser leigo e leiga no mundo de hoje é um desafio.
Os cristãos leigos ocupam diversos serviços na vida
da Igreja e assumem uma vocação particular de constituir
família e ser testemunho no meio dos outros, como pedras vivas
da Igreja, trabalhadores do Reino Cristo-Rei.
Sentido da festa de Cristo Rei
A festa de Cristo Rei foi criada pelo papa Pio XI em 1925. Instituiu
que fosse celebrada no último domingo de outubro. Agora, na
reforma litúrgica passou ao último domingo do ano litúrgico
como ponto de chegada de todo o mistério celebrado, para dar
a entender que Ele é o fim para o qual se dirigem todas as
coisas.
A criação desta festa tinha uma conotação
política de grandiosidade. Quem, dos mais antigos, não
foi da Cruzada Eucarística? Roupinha branca, fita amarela com
cruz e dois traços azuis para os melhores. Qual era o comprimento?
- Viva Cristo! – Rei! Este amor a Cristo Rei sustentou os cristãos
na perseguição do México. Quantos mártires
não entregaram a vida proclamando: Viva Cristo Rei! Quem sabe
nos falte uma definição maior para o Reino de Cristo.
A oração da missa assim reza: “Deus que dispusestes
restaurar todas as coisas em vosso Filho Amado, Rei do Universo, fazei
que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à
vossa majestade vos glorifiquem eternamente”. Vejamos os termos:
Rei do Universo, vossa majestade. Para este sentido endereça
a primeira leitura:
A glória do Filho do Homem - “Seu poder é poder
eterno que não lhe será tirado e seu reino, um reino
que não se dissolverá” (Dn l7,14). Cristo com
sua morte e ressurreição foi feito o Senhor da Glória.
Seu Reino não tem fim.
Rei da Verdade.
Mesmo que seja um reino, o é diferente dos reinos e governos
do mundo. Jesus se proclama rei diante de Pilatos: “Tu és
Rei?” Pergunta Pilatos diante no tribunal. “Tu o dizes,
eu sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da
verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz”
(Jo 18,37). Jesus é rei da verdade.
Pilatos pergunta-lhe: “O que é a verdade?” Mas
não espera a resposta. (É comum em nossa vida perguntar
as coisas para Deus e não querer saber a resposta). O que é
esta verdade que é a identificação com Ele próprio?
“Eu sou a Verdade e a vida” (Jo 14,6). Ser verdade para
Jesus é ser Ele próprio o testemunho da vontade do Pai:
Estabelecer no mundo o domínio da misericórdia amorosa
da qual o Pai é a fonte. “Graças a esta vontade
é que somos salvos” (Hb 10.10). Durante sua vida procura
unicamente fazer a vontade do Pai: “E a vontade do que me enviou
é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que
me deu, mas que eu o ressuscite no último dia” (Jo.6,39).
Um reino de sacerdotes.
Todo povo de Deus tem, como Cristo esta realeza. Esta é o domínio
do amor que transforma o mundo. O amor é a primeira fonte da
união com Deus. Ele faz de nossos gestos de serviço
aos outros, da transformação das estruturas de escravidão
em liberdade, um sacerdócio do povo de Deus e de cada um que
santifica o universo. Ser cristão é já construir
o reino de Cristo no mundo. A modalidade de construir este reino é
o serviço fraterno, humilde como Cristo fez na sua morte que
o glorificou. Unindo nossa vontade à sua e a vontade do Pai,
podemos crer em verdade que Ele é Rei e Senhor.